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Quinta-feira, Julho 03, 2008

 
Álcool é a causa de metade dos acidentes graves

Por Ronaldo Laranjeira e Sergio Duailibi.

Acidentes decorrentes do beber-e-dirigir são um importante problema de saúde pública. O Estado possui medidas de controle, sendo a fiscalização com bafômetros a mais eficaz. A identificação e a retirada das ruas dos motoristas intoxicados são um tipo de prevenção que muda o comportamento populacional, e são muito mais eficazes que campanhas educativas.

Não há limites seguros para o consumo de álcool por motoristas. Mesmo em baixas doses, ocorrem queda na visão periférica e comprometimento das noções de distância e velocidade, da atenção, da coordenação e do tempo de reação. O risco de acidentes aumenta uma vez e meia após consumir uma dose e dobra após duas.

No Brasil, o álcool responde por cerca da metade dos 40 mil acidentes graves de trânsito que ocorrem a cada ano, e os jovens são suas maiores vítimas. Pesquisa da Unifesp com 6.356 motoristas em várias capitais apontou que 31% apresentavam álcool no bafômetro. Quando um país desenvolvido identifica de 2% a 3% de motoristas alcoolizados, isso gera um grande debate nacional para melhorar a lei.

A nova lei não está proibindo as pessoas de beberem e não é rígida demais ao estipular que uma quantidade de álcool equivalente a dois chopes seja suficiente para a prisão do condutor. Basta, na maioria das vezes, mudar alguns hábitos e esperar pelo menos uma ou duas horas antes de dirigir. Não existe a possibilidade de o bafômetro identificar alguém que coma bombom de licor ou use medicamentos com álcool. Isso se deve à contaminação da boca e pode ser evitado bebendo um pouco de água.

A lei seca, com adequada fiscalização, pode modificar a tendência atual no Brasil: o descumprimento da lei por quem deveria observá-la, a omissão do poder público que deveria fiscalizá-la e o silêncio da sociedade que deveria exigi-la.

* Ronaldo Laranjeira e Sergio Duailibi são médicos e coordenadores da Uniad (Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas) da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo)

Reproduzido da Folha de S. Paulo de 03/07/2008.

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O artigo "contra" pode ser conferido em Videodrome.

posted by RICARDO MALTA BARBEIRA 12:45 PM


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